Henrique Holanda
Henrique Holanda
28 de outubro de 2026•23 min de leitura

Um blog perdeu 99,9% das impressões no Google: o que o blog da clínica aprende

Um blog de viagens com 476 posts e 69 mil páginas automáticas viu as impressões no Google caírem 99,9% em 16 meses. Os números reais, o que o Google diz, o que o CFM determina e a ordem que eu sigo no blog de uma clínica.

MÉTODO

Search Console do blog, banco de dados do site e textos oficiais do Google e do CFM

PERÍODO

18/06/2025 a 17/10/2026, com diagnóstico em 18/10/2026

OBJETIVO

Mostrar o que o blog de uma clínica deve arrumar antes de publicar mais

Sobre este caso:Os prints são reais, de 19 e 21/10/2026, com o logo, o nome do blog e os títulos borrados. Os parceiros e as ferramentas que o blog usava não são identificados. Os números são do Search Console e do banco de dados do próprio site. A queda coincide com atualizações do Google, o que não prova sozinho a causa. Este artigo não é parecer jurídico.
Um blog perdeu 99,9% das impressões no Google: o que o blog da clínica aprende com o caso real de conteúdo em escala

Toda semana um médico me pergunta quantos posts por mês o blog da clínica precisa ter. Alguns já pagam por 20 ou 30 textos por mês e não veem paciente nenhum chegar por eles. A minha resposta costuma incomodar: o que conta não é quantos, é quais. E o que está no ar hoje pesa mais do que o que vai sair amanhã.

Para mostrar por que eu penso assim, vou abrir um caso que não é da área médica. É um blog de viagens que chegou até mim em outubro de 2026. Em 16 meses de dados do Search Console, as impressões no Google caíram de 929.594 por semana para 620. Uma queda de 99,9%.

O blog tinha 476 posts, quase todos longos, e um glossário com 69.454 páginas geradas em série. Publicou 386 posts em cinco meses. Nada disso segurou o tráfego.

Escolhi um blog de viagens de propósito. Ele mostra o mecanismo sem a camada do CFM. Depois eu coloco essa camada de volta, porque no site de uma clínica são dois juízes: o Google e o Conselho. E termino com a ordem que eu sigo para arrumar o blog de uma clínica antes de publicar mais um post.

O caso: 476 posts, 69 mil verbetes e quase nenhum leitor

O blog existe desde 2023 e publicava poucos posts por mês até março de 2025. Em abril de 2025 o ritmo mudou: 21 posts em abril, 93 em maio, 84 em junho, 93 em julho e 95 em agosto. Depois, a produção caiu de repente e quase parou. O último post é de 17 de abril de 2026.

O retrato que eu fiz em 18 de outubro de 2026, lendo o banco de dados do site:

  • 476 posts em 13 categorias, com mediana de 3.542 palavras por post. O menor tinha 414 palavras, e o maior, 6.102.
  • 69.454 verbetes de um glossário automático, todos no formato "O que é: ...", sobre assuntos que, na maioria, não tinham relação com viagem.
  • 392 posts sem autor, assinados só pelo nome do site. Os outros 84 se dividiam entre dois autores.
  • 385 posts com imagens de um gerador automático, 758 imagens no total.
  • Um parceiro com 107 links dentro de um único post, todos sem nenhuma marcação de link comercial. Outro domínio tinha 26 links em outro post.
  • Conteúdo invadido: a política de privacidade tinha texto de apostas inserido por alguém de fora.
  • Três plugins de anúncios rodando ao mesmo tempo e o servidor numa versão antiga de PHP.

O tamanho dos textos não era o problema. Quem acredita que post longo garante posição no Google pode olhar para esse blog: 3.500 palavras de mediana e quase nenhum clique.

O que o Search Console mostra

De 18 de junho de 2025 a 17 de outubro de 2026, o blog teve 31.095 cliques e 10.265.679 impressões. É uma taxa de clique de 0,3%: de cada mil vezes que o site apareceu, três pessoas clicaram.

Gráfico de impressões no Google por semana, de junho de 2025 a outubro de 2026, caindo de 929.594 para 620, com oito atualizações do Google marcadas

Impressões por semana. As linhas tracejadas marcam o início de cada atualização do Google no período.

O Google publica as datas das atualizações no Google Search Status Dashboard. Comparei a média diária de impressões dos 14 dias antes de cada uma com a dos 14 dias depois do fim dela:

  • Core de junho de 2025 (30/06): de 128 mil para 63 mil por dia, menos 51%.
  • Spam de agosto de 2025 (26/08): mais 44%. Teve recuperação, e ela não durou.
  • Core de dezembro de 2025 (11/12): menos 33%.
  • Spam e core de março de 2026 (24 e 27/03): de 6.959 para 1.613 por dia, menos 77%.
  • Core de maio de 2026 (21/05): menos 20%.
  • Spam de agosto de 2026 (18/08): de 1.678 para 88 por dia, menos 95%. A semana de 12/08 teve 14.047 impressões; a de 26/08, 635.

Um cuidado que eu faço questão de deixar escrito: a queda coincide com as atualizações. Coincidência de datas não prova causa. O Google não avisa quando um site cai por um sistema automático. O que dá para afirmar é o que os dados mostram e o que as políticas do Google descrevem. Leia o resto com isso em mente.

Dois painéis com os mesmos meses: posts publicados por mês, com pico de 95 em agosto de 2025, e cliques do Google por mês, de 6.552 em julho de 2025 para 25 em setembro de 2026

Posts publicados e cliques, mês a mês. São dois gráficos separados, com o mesmo eixo de meses.

O pico de produção não virou pico de cliques. Os cliques já caíam enquanto o blog ainda publicava 90 posts por mês.

Onde estava o tráfego (e onde não estava)

A parte mais reveladora do caso está na lista das páginas com mais cliques.

Grade com mil quadrados representando as mil páginas com mais cliques: 998 são verbetes de um glossário automático e só 2 são páginas do blog

As 1.000 páginas com mais cliques em 16 meses. Só duas eram do blog: a home e um post.

Das 1.000 páginas com mais cliques, 998 eram verbetes do glossário automático. Elas somaram 16.428 cliques. Do blog de verdade, entraram só a home, com 25 cliques, e um post sobre países da América Latina, com 65. A milésima página da lista teve 6 cliques. Ou seja: os outros 475 posts tiveram 6 cliques ou menos, cada um, em 16 meses.

Os 476 posts, que eram o motivo de o blog existir, quase não foram lidos. O tráfego vinha de páginas automáticas sobre assuntos alheios ao tema, com taxa de clique de 0,41%. Os posts, mesmo com pouca exibição, tinham 0,97%: mais que o dobro. Quando o leitor encontrava um post de verdade, clicava mais.

O verbete com mais impressões, sobre número de documento de identificação, apareceu 79.284 vezes e teve 218 cliques. O com mais cliques, sobre bloqueio de passaporte, teve 427 cliques em 12.110 impressões. Assim era um desses verbetes no ar:

Print real de um verbete do glossário automático do blog de viagens, com o título O que é: Anuidade escolar, o menu de viagens no topo e o logo borrado

Print real de um dos 69.454 verbetes, em 19/10/2026. Logo e nome do blog borrados.

A consulta com mais cliques nos 16 meses foi "como saber se meu passaporte está bloqueado", com 76 cliques. Uma pergunta concreta, de quem tem um problema real. É exatamente o tipo de pergunta que o paciente faz ao Google antes de marcar consulta.

As consultas seguintes, com os cliques e as impressões de 16 meses:

  • "manifestações culturais": 45 cliques em 11.275 impressões.
  • "vietnã": 28 cliques em 2.666.
  • "situação profissional": 22 cliques em 1.767.
  • "foto biométrica": 20 cliques em 783.
  • "instabilidade política": 19 cliques em 1.374.
  • "zao shang hao", que é bom dia em chinês: 18 cliques em 2.878.

Na mesma lista aparecem termos de cunho sexual, que eu não reproduzo aqui. Fora o passaporte e o Vietnã, quase nada tem a ver com viagem. O público que chegava não procurava o que o blog queria oferecer.

O mesmo molde em centenas de posts

Lendo os posts, o padrão aparece rápido.

Gráfico com os sinais de produção em escala nos 476 posts: 392 sem autor, 386 usam Prepare-se para, 385 com imagens de gerador automático, 293 usam Descubra

Quantos dos 476 posts tinham cada sinal.

  • 386 posts usam "Prepare-se para".
  • 293 usam "Descubra".
  • 221 usam "Neste post, vamos".
  • 209 usam "Imperdíveis".
  • 104 têm uma seção chamada "Conclusão", e 44 usam "Em resumo".
  • 65 usam "Guia Completo".

Nenhuma dessas expressões é proibida. O problema é o conjunto: centenas de textos com a mesma estrutura, a mesma abertura e as mesmas imagens geradas, sem autor e sem nada que só quem esteve no lugar saberia contar.

Print real da abertura de um post do blog de viagens, com as frases Neste post vamos, Prepare-se para e Descubra marcadas e uma imagem quebrada logo abaixo

Print real da abertura de um post, em 19/10/2026. As expressões marcadas se repetem em centenas de posts.

Um post sobre Gramado deixou a prova mais clara. As imagens dele apontavam para uma pasta do tipo /home/ubuntu/, que é um caminho no servidor da ferramenta que gerou o texto. Ninguém leu aquele post antes de publicar.

O que o Google diz, com as palavras dele

Muita gente resume o caso como "o Google pune texto de IA". Não é isso que está escrito. As políticas de spam do Google definem o problema pelo objetivo, não pela ferramenta:

"Abuso de conteúdo em escala ocorre quando muitas páginas são geradas com o objetivo principal de manipular as classificações da pesquisa, e não ajudar os usuários. Essa prática abusiva costuma criar, independentemente de como cria, grandes volumes de conteúdo não original que oferece pouco ou nenhum valor aos usuários."

"Independentemente de como cria": vale para IA, para redator mal pago e para cópia. Entre os exemplos da política está "Usar ferramentas de IA generativa ou outras ferramentas semelhantes para gerar muitas páginas sem agregar valor para usuários". O glossário de 69 mil verbetes fora do tema se encaixa nessa descrição quase palavra por palavra.

O guia do Google sobre conteúdo útil, confiável e que prioriza as pessoas diz a mesma coisa pelo outro lado: "Se você usa automação, incluindo a geração de IA, para produzir conteúdo com o objetivo principal de manipular classificações de pesquisa, isso é uma violação das nossas políticas de spam." E propõe perguntas que eu sugiro que todo médico faça sobre o próprio blog:

"Você está produzindo muito conteúdo sobre tópicos diferentes esperando que parte dele tenha um bom desempenho nos resultados da pesquisa?"
"Você está usando muita automação para produzir conteúdo sobre vários tópicos?"

O mesmo guia organiza a avaliação em três perguntas: quem criou o conteúdo, como foi criado e por que foi criado. Sobre o "quem", o texto é direto:

"Fabricar perfis de criadores (por exemplo, usando fotos de rosto geradas com IA, nomes inventados ou credenciais falsas para fazer com que o conteúdo pareça ter sido escrito por especialistas humanos) é uma forma de enganar as pessoas. Qualquer forma de engano torna uma página não confiável para os usuários e nossos sistemas de qualidade automatizados, além de ser um sinal de uma página de baixa qualidade."

Os links também têm regra. "O link de spam é a prática de criar links para ou de um site com o objetivo principal de manipular as classificações da pesquisa", e os exemplos incluem "Pagar por links ou postagens que contêm links". Ao mesmo tempo, o Google reconhece que "comprar e vender links é uma prática econômica normal na Web, para fins de publicidade e patrocínio" e que isso não viola as políticas "desde que sejam qualificados com um valor de atributo rel="nofollow" ou rel="sponsored"". Os 107 links do parceiro estavam sem nenhum dos dois.

E o texto de apostas na política de privacidade tem nome na mesma página: "O conteúdo invadido é qualquer conteúdo colocado em um site sem permissão, devido a vulnerabilidades na segurança do site." Mesmo quando o dono não sabe, a página é dele.

Print real da política de privacidade do blog, com o nome de uma casa de apostas inserido no meio da frase sobre jogos de azar e o nome do blog borrado

Print real da política de privacidade, em 19/10/2026. O nome do blog foi borrado. O da casa de apostas está como estava no ar.

Detalhei o que o Google escreve sobre IA, frase por frase, em o que o Google diz sobre IA.

O que foi feito no blog

Em 18 de outubro de 2026 eu fiz o diagnóstico, e em 21 de outubro o blog foi migrado para uma plataforma nova. O que mudou:

  • Glossário: dos 69.454 verbetes, ficaram os 828 que tiveram algum clique no Search Console. Os outros, cerca de 68.600, passaram a responder 410, o código que diz ao Google "essa página foi retirada de propósito e não volta".
  • Posts: os 476 continuam no ar, nos mesmos endereços. Onde o endereço precisou mudar, entrou um 301, que leva o leitor e o Google ao endereço novo.
  • Páginas técnicas sem valor (feed, autor, tag e caminhos da plataforma antiga) passaram a responder 410.
  • Anúncios: os três plugins saíram junto com a plataforma antiga.
  • Conteúdo invadido: o texto de apostas saiu, e a política de privacidade voltou ao texto original.
  • Links internos: 8 foram atualizados e 3 removidos, porque apontavam para páginas que deixaram de existir.
Print real do mesmo post antes e depois da migração: antes, um pop-up de inscrição cobria a leitura; depois, a página abre direto no post, com logo e títulos borrados

O mesmo post em 19/10 e em 21/10/2026. O texto ainda é o original, e reescrever depende do dono do blog.

Três decisões são do dono do blog e estão com ele: o que fazer com os links dos parceiros (manter, marcar como patrocinados ou retirar), quem vai assinar os posts e se volta a ter anúncio.

Ainda é cedo para medir. Uma mudança desse tamanho leva semanas para ser lida pelo Google, e eu não vou publicar resultado antes de ele existir. Volto a este caso com os números.

Por que isso interessa a quem tem uma clínica

Nenhum médico tem 69 mil verbetes no site. Mas eu vejo versões menores do mesmo padrão toda semana:

  • Pacotes de "30 posts por mês" escritos por quem nunca viu um paciente.
  • Posts sobre doenças que a clínica não trata, só porque "têm volume de busca".
  • Textos sem autor, ou com um autor que não existe, às vezes com foto gerada.
  • Post de convidado com link para loja, laboratório ou marca de produto.
  • Anúncios automáticos no blog da clínica.
  • Plugins velhos e uma página que alguém de fora editou sem ninguém perceber.

No blog de viagens, o custo foi tráfego. No site de uma clínica, o custo pode ser tráfego e um processo ético. É aqui que entra o segundo juiz.

O que pode e o que o CFM determina

1. Quem assina o post

Pode: escrever para o público leigo. A resolução garante o direito de "em suas redes sociais próprias fazer publicidade/propaganda para formar, manter ou aumentar a clientela, sendo permitido também dar informações de caráter acadêmico e/ou educativo para a comunidade" (Resolução CFM 2.336/2023, art. 13, III).

O que o CFM determina: as peças de publicidade médica "deverão conter, obrigatoriamente", o "nome, número(s) de registro(s) no(s) CRM(s) onde esteja exercendo a medicina, acompanhados da palavra MÉDICO" e a especialidade "seguida pelo número de Registro de Qualificação de Especialista (RQE), quando o for" (art. 4º, I e II). No caso da clínica, entram o nome do estabelecimento com o registro no CRM e o diretor técnico, e "Em todo material utilizado na divulgação, física e virtual, devem constar os itens apresentados acima" (art. 5º, parágrafo único). Post sem autor, ou com um autor inventado, não tem como cumprir isso. Veja como colocar CRM e RQE e publicidade de clínica e diretor técnico.

2. Texto escrito com IA

Pode: usar IA no trabalho. A Resolução CFM 2.454/2026 pede ao médico "empregar a IA exclusivamente como ferramenta de apoio" e "exercer julgamento crítico sobre as informações e recomendações fornecidas pela IA" (art. 4º, I e II). Pesquisar, organizar e revisar com IA, com o médico decidindo o que vai ao ar, é uso de apoio.

O que o CFM determina: "o médico permanece integralmente responsável pelos atos médicos por ele praticados mediante a utilização de modelos, sistemas e aplicações de IA" (art. 7º), e "A utilização da IA não exime o médico do cumprimento do Código de Ética Médica e demais normas emanadas do Conselho Federal de Medicina" (art. 7º, §1º). Para publicidade, a regra é explícita: o uso de IA "com finalidade mercantil, publicitária ou promocional deve observar rigorosamente as normas éticas relativas à publicidade médica" (art. 7º, §3º). Um post publicado sem leitura, como o de Gramado, é do médico do mesmo jeito. Mais em Resolução CFM 2.454/2026 e no artigo competente o suficiente.

3. Post de convidado e conteúdo de terceiros

Pode: abrir o blog para colegas, para a equipe e para outros profissionais. O blog é canal próprio: "são consideradas redes sociais próprias: sites, blogs, Facebook, Twitter, Instagram, YouTube, WhatsApp" e outros (art. 8º, §1º).

O que o CFM determina: "Publicações e postagens de terceiros e/ou pacientes que venham a ser compartilhadas ou repostadas pelo médico em suas próprias redes sociais passam a ser consideradas como publicações suas para fins de aplicação das regras previstas nesta Resolução" (art. 8º, §3º). E pela publicidade do estabelecimento responde o diretor técnico (art. 3º, II). Post de convidado com promessa, preço ou link para loja passa a ser da clínica. Por isso todo texto de terceiro passa pela mesma revisão de um texto próprio.

Pode: linkar fontes, sociedades de especialidade, órgãos de saúde e estudos. Link que ajuda o leitor a conferir uma informação é bom para o paciente e para o Google.

O que o CFM determina: ao anunciar a aplicação de fármacos, insumos e afins nos procedimentos, o médico deve garantir que "não anuncie marcas comerciais e fabricantes" (art. 9º, XVIII, c). O Código de Ética Médica veda "Exercer a profissão com interação ou dependência de farmácia, indústria farmacêutica, óptica ou qualquer organização destinada à fabricação, manipulação, promoção ou comercialização de produtos de prescrição médica, qualquer que seja sua natureza" (Código de Ética Médica, art. 68). Um post com dezenas de links para a mesma loja, no site de uma clínica, junta os dois problemas: o do Google e o do Conselho. Mais em publicidade de equipamentos médicos e em médico influenciador e publi.

5. Anúncios e afiliados no site da clínica

Pode: divulgar os serviços da própria clínica, com a identificação completa.

O que o CFM determina: o Código de Ética Médica veda "Participar de anúncios de empresas comerciais, qualquer que seja sua natureza, valendo-se de sua profissão" (art. 115). A resolução veda "fazer qualquer propaganda ou manter material publicitário nas dependências de seu consultório ou, pessoa jurídica da área médica a que pertença, de empresas dos ramos farmacêuticos, óticos, de órteses e próteses ou insumos médicos de qualquer natureza, quando investidor em qualquer delas" (art. 11, XIV). Anúncio automático não escolhe o que mostra: pode exibir suplemento, clínica concorrente ou promessa de cura ao lado do nome do médico. No site de uma clínica, eu não recomendo anúncio automático nem link de afiliado.

6. Volume e tom

Pode: publicar com frequência, sobre o que a clínica trata, com finalidade educativa.

O que o CFM determina: "na publicação de artigos e informações ao público leigo, o médico deve se portar como representante da medicina, devendo abster-se de condutas que visem angariar clientela ou pleitear exclusividade de métodos diagnósticos e terapêuticos" (art. 10). E é vedado "portar-se de forma sensacionalista ou autopromocional, praticar concorrência desleal ou divulgar conteúdo inverídico" (art. 11, XVI). O "Prepare-se para" e o "Imperdíveis" que serviam para viagem viram promessa e superlativo num post sobre procedimento. Mais em sensacionalismo e autopromoção.

Vale lembrar um último artigo do Código de Ética Médica: é vedado "Apresentar como originais quaisquer ideias, descobertas ou ilustrações que na realidade não o sejam" (art. 116). Assinar um texto pronto, sem ler e sem pôr nada seu, é um risco desnecessário.

Blog da clínica: a ordem que eu sigo

Antes de contratar mais posts, eu arrumo o que já está no ar. É mais barato, é mais rápido de medir e protege o que já funciona.

Os sete passos para o blog da clínica antes de publicar mais: inventário, decidir, reescrever, assinar, links, segurança e medir

A ordem que eu sigo no blog de uma clínica.

1. Inventário: cada post com os números dele

Exporte do Search Console os últimos 16 meses, página por página: cliques, impressões e as consultas de cada uma. Junte com a lista de posts do site e com os links que cada post recebe de outros sites. No blog de viagens, foi essa planilha que mostrou que 998 das 1.000 páginas com clique eram verbetes, e não posts.

Se a clínica não tem Search Console, esse é o primeiro passo de tudo. Sem ele, qualquer decisão é chute. Se o site sumiu do Google, comece por consultório sumiu do Google.

2. Decidir: manter, reescrever, juntar ou retirar

Para cada post, uma de quatro decisões:

  • Manter o que traz paciente e está dentro da norma.
  • Reescrever o que tem tema certo e texto fraco, ou trecho fora da norma.
  • Juntar posts que respondem à mesma pergunta num só, com 301 dos endereços antigos para o novo.
  • Retirar o que não tem relação com a clínica, não teve clique e não recebe link, com 410.

O critério do blog de viagens foi simples: o verbete que teve algum clique ficou, e o resto saiu. Numa clínica, eu somo um critério: o post sobre o que a clínica não trata sai, mesmo com clique. Não adianta atrair quem a clínica não vai atender.

3. Reescrever em massa, sem perder o que funciona

Quando a base é grande e antiga, eu recomendo reescrita em massa, com método. O que eu preservo:

  • O endereço (slug) de todo post que traz visita ou recebe link. Troco só quando o próprio endereço tem problema, como promessa ou marca, e aí sempre com 301. Foi o que eu fiz no caso do processo ético no CRM, com 77 endereços.
  • As âncoras (os títulos internos que outros links apontam).
  • Os links internos entre posts, atualizados para os endereços novos.
  • Os links externos legítimos, como fonte, sociedade e estudo.

O que eu acrescento é o que nenhuma ferramenta inventa: a experiência do médico. A pergunta que o paciente fez na consulta, o que a clínica faz diferente na prática, o dado próprio, a foto real do ambiente, a fonte primária. Sem prometer resultado e sem superlativo. Um post de 900 palavras assim vale mais que um de 3.500 no molde. Sobre tamanho de texto e IA, veja a regra das 200 palavras.

4. Assinar com autor real

Cada post com o nome do médico, o CRM, a palavra MÉDICO e, se for especialista, a especialidade com o RQE. Uma página de autor com a formação e o link para conferir o registro no portal do CFM. Foto real do médico, nunca gerada. No rodapé da clínica, o diretor técnico com o registro.

Se o texto foi escrito por outra pessoa, o médico lê, corrige e só então assina. Se ele não tem tempo de ler, o post não está pronto.

Eu abro cada link externo do blog e pergunto: alguém pagou por ele? Ele leva a uma marca, loja ou laboratório? Ajuda o paciente a conferir alguma informação?

  • Link pago ou de parceria comercial leva rel="sponsored", como o Google pede. No site de uma clínica, antes da marcação vem a pergunta do CFM: esse link anuncia marca ou empresa? Se anuncia, eu recomendo retirar.
  • Post de convidado passa pela mesma revisão de um texto da casa, com os links incluídos.
  • Troca de links, compra de post em portal e "pacote de backlinks" ficam de fora. Link bom vem de conteúdo que alguém quis citar.

6. Segurança: procurar o que você não publicou

Procure no Google "site:" com o domínio da clínica e palavras como aposta, cassino ou remédio. Veja no Search Console se há páginas que você não conhece. Plugin desatualizado e senha fraca são a porta mais comum. No blog de viagens, a invasão estava na política de privacidade, uma página que ninguém abre.

7. Medir antes e depois

Anote a data de cada mudança e compare no Search Console as quatro semanas antes com as quatro depois, sempre lembrando das atualizações do Google no período. Mudança grande leva semanas para aparecer. E não troque o endereço de um post que funciona só para "atualizar".

E o volume, como fica?

Volume não é o vilão. O vilão é volume sem critério. A estratégia de volume que eu recomendo para clínica é orgânica e começa pelas perguntas reais:

  • As consultas que já aparecem no Search Console da clínica.
  • As perguntas que a recepção e o WhatsApp recebem toda semana.
  • As dúvidas que o médico responde no consultório.

Cada pergunta vira uma página que responde a ela de verdade, assinada por quem atende, ligada aos outros posts do mesmo tema e à página do serviço. É assim que se monta um grupo de posts que se ajudam, sem comprar link de ninguém. Quatro posts assim por mês, revisados pelo médico, fazem mais pela clínica do que 30 no molde. Veja quais perguntas dos pacientes ativam o resumo de IA do Google.

E nas respostas das IAs?

Uma preocupação que eu ouço muito: "se eu limpar o blog, vou sumir das respostas das IAs". O Google responde a isso na página sobre recursos de IA e o seu site:

"Para aparecer como um link de suporte nas Visões gerais criadas por IA ou no Modo IA, uma página precisa ser indexada e estar qualificada para aparecer na Pesquisa Google com um snippet, atendendo aos requisitos técnicos da Pesquisa. Não há requisitos técnicos adicionais."

Ou seja: a página que o Google deixa de mostrar na busca também não aparece como fonte no resumo de IA. Proteger a indexação do blog é proteger a presença nas respostas das IAs. E a página que responde a uma pergunta real, com autor identificado, é a que tem chance de ser citada. Aprofundo em AI Overviews para clínicas, em site que aparece mas não é citado pela IA e no guia de GEO para clínicas.

O que este caso ensina

  1. Volume não é estratégia. 386 posts em cinco meses não seguraram o tráfego.
  2. Post longo não é post útil. A mediana era de 3.542 palavras.
  3. Página fora do tema é risco, mesmo quando traz clique. O tráfego do blog vinha de verbetes automáticos, e foi o que mais caiu.
  4. O Google julga o objetivo, não a ferramenta. IA usada para ajudar o leitor não é o problema. Página feita para manipular a busca é.
  5. Autor inventado é engano, para o Google e, no site médico, para o CFM.
  6. Link de parceiro precisa de marcação no Google e, no site médico, de uma pergunta antes: isso anuncia marca?
  7. A página que ninguém abre também é sua. Conteúdo invadido conta contra o site.
  8. Arrume antes de publicar mais. Preserve endereços, âncoras e links que funcionam, e reescreva o resto com a experiência do médico.

Cada caso é um caso

Este foi um caso, com um blog, um tema e um período. Outro site, outro histórico e outra atualização do Google podem ter outra história, e a queda coincide com as atualizações sem que isso prove a causa. Cada caso é um caso. Outros casos reais, com dados e método, estão na categoria Evidência. Para a regra geral do site médico, comece pelo checklist de publicidade médica e por site médico e as regras do CFM.

O meu trabalho é consultoria de SEO, GEO e conformidade digital para médicos e clínicas: fazer o site aparecer no Google e nas IAs dentro das normas do CFM, lado a lado com o seu jurídico, que cuida da interpretação legal. Se o blog da sua clínica cresceu em volume e não em pacientes, eu faço o inventário e a ordem de trabalho com você. Veja os serviços ou fale comigo pelo WhatsApp.

Leituras e referências

Perguntas frequentes sobre conteúdo em escala e o blog da clínica

Não pela ferramenta. As políticas de spam do Google tratam como abuso o conteúdo gerado em escala "com o objetivo principal de manipular as classificações da pesquisa", "independentemente de como cria". Texto feito com apoio de IA, revisado e assinado por quem entende do assunto, não é o alvo. Centenas de páginas no mesmo molde, sem autor e sem valor para o leitor, são.

Henrique Holanda

Certificado em SEO Técnico

Consultoria de SEO para Médicos, Dentistas e Clínicas

Consultor de SEO e GEO especializado em clínicas, médicos e negócios de saúde, atuando de forma independente desde 2022. Certificado em Technical SEO pela Blue Array Academy e em SEO Técnico pela SEO Liddi, com MBA em SEO, GEO e Organic Growth Marketing em andamento. Ajuda clínicas a aparecerem entre os primeiros resultados do Google e nas respostas de ferramentas como ChatGPT e Google AI Overviews. Quer saber se a sua clínica está pronta para isso? Conheça a trajetória completa e fale com Henrique.

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Henrique Holanda - Especialista em SEO e Posicionamento Médico no Google