Henrique Holanda
Henrique Holanda
17 de outubro de 2026•20 min de leitura

Pedi à IA a melhor creatina e quase comprei de um vendedor com 26% de nota 1

Fui comprar creatina, pedi ao Gemini a melhor e quase comprei de um vendedor com nota 3,8 e 26% de avaliações de 1 estrela. O caso real, print a print, o ZMOT de 2011 ao lado da jornada com IA, o que diz a lei e o que o CFM determina.

MÉTODO

Prints da compra, páginas públicas e fontes oficiais, com revisão de Henrique Holanda

PERÍODO

17/10/2026: compra das 11h44 às 11h50 e revisão concluída às 13h15

OBJETIVO

Mostrar onde a jornada de compra com IA falha e como conferir

Sobre este caso:Os dados foram copiados das telas da Amazon e do Gemini em 17/10/2026, entre 11h44 e 11h50, e a compra não foi concluída. As avaliações citadas são relatos públicos de compradores. Este artigo não afirma que o vendedor vende produto falsificado. Notas e avaliações mudam com o tempo. Se o vendedor quiser apresentar a sua versão, ela será publicada aqui.
A IA escolheu a marca, quem ia vender era outro: caso real de compra de creatina com ajuda do Gemini

No fim da manhã de sábado, 17 de outubro de 2026, eu fui comprar creatina. Um pote, monoidratada, nada exótico. É o tipo de compra que muito médico faz para si mesmo, e que muito paciente faz depois de perguntar no consultório: "doutor, qual creatina eu compro?".

Quase comprei de um vendedor com nota 3,8 de 5 e 26% de avaliações de 1 estrela, num anúncio que tinha toda a cara da marca. Quem me levou até ali foi um caminho que hoje parece natural: busca no Google, comparação numa IA, link de compra, carrinho. O que me tirou dali foi uma linha pequena, em cinza, que quase ninguém lê.

Eu trabalho com SEO e com o jeito como as IAs escolhem o que recomendar. Boa parte do meu trabalho é mapear o caminho de quem pesquisa até quem compra ou marca consulta. Mesmo assim, quase passou. Por isso este artigo é um alerta, e cada passo dele vem com print, data e hora.

O caminho, print a print

1. Dezenas de marcas no Google, e a IA para escolher

Comecei pelo Google. Apareceram dezenas de marcas de creatina, quase todas vendendo a mesma coisa: creatina monoidratada. Para não passar a tarde comparando rótulo, pedi ao Gemini, a IA do Google, que comparasse as opções e dissesse qual era a melhor.

A primeira resposta apontou uma creatina de cerca de R$ 30. Entendi que a IA estava pesando custo-benefício. Pedi então que ela desconsiderasse o preço e trouxesse a melhor do mercado em qualidade.

2. O mesmo selo e mais de R$ 100 de diferença

A segunda resposta trouxe duas marcas com o selo Creapure, de creatina produzida na Alemanha. De um lado, a Creatina Creapure da Dux, com R$ 274,90 no card do Gemini. Do outro, a Max Titanium Creatina Creapure Linha Dino 250 g, com R$ 152,03 na loja da Max Titanium, R$ 140,00 na Drogasil e R$ 142,07 na Amazon.

Gemini em 17/10/2026 comparando duas creatinas Creapure: Dux a R$ 274,90 e Max Titanium a partir de R$ 140,00

O Gemini em 17/10/2026, às 11h46. Os destaques em vermelho são meus.

Mais de R$ 100 de diferença entre dois produtos com o mesmo selo. Mesmo na conta por grama (o pote da Dux tem 300 g, o da Max Titanium, 250 g), a mais cara saía cerca de 50% acima. A conta não fechava. Foi o primeiro alerta.

Pedi ao Gemini que procurasse o menor preço da Dux. Cheguei a um anúncio na Amazon: R$ 123,40 no Pix ou R$ 129,90 parcelado, com um "De: R$ 282,21" riscado. O produto que estava a R$ 274,90 no card agora saía por menos da metade, e mais barato que a alternativa que tinha sido apresentada como a mais em conta.

Foi o segundo alerta. Abri o anúncio e cliquei no link logo abaixo do título: "Visite a loja Dux Nutrition Lab". Ele leva à página da marca dentro da Amazon, e parece uma garantia. Não é. Esse link faz parte da página do produto e aparece para qualquer vendedor que ofereça aquele produto ali.

Anúncio de creatina na Amazon em 17/10/2026 com o link Visite a loja Dux Nutrition Lab, preço de R$ 123,40 e vendido por Raiz Verde na caixa de compra

O anúncio em 17/10/2026, às 11h44. O destaque no link da loja é meu. O CEP e o endereço do link na barra de status foram borrados.

4. A linha que quase ninguém lê

Coloquei no carrinho. Foi ali que eu vi, em letra pequena: Vendido por: Raiz Verde. Um nome que não tinha aparecido na busca, na comparação nem no título do anúncio. Voltando ao print do anúncio, ele também estava na caixa de compra, em letra miúda, logo abaixo de "Enviado pela Amazon". Eu só reparei no carrinho.

Carrinho da Amazon com a linha Vendido por: Raiz Verde em letra pequena

O carrinho, ampliado. O destaque em vermelho é meu.

5. A página do vendedor

Cliquei no nome. A página da Raiz Verde na Amazon mostrava, naquele momento:

  • nota 3,8 de 5, com 357 classificações nos últimos 12 meses;
  • "69% positivo nos últimos 12 meses (357 avaliações)";
  • 64% de 5 estrelas, 5% de 4, 3% de 3, 2% de 2 e 26% de 1 estrela.

Os 26% de 357 dão cerca de 93 avaliações com a nota mínima em um ano. Entre os comentários visíveis, dois relatos de compradores, ambos com 1 estrela. O primeiro, de 16 de outubro, véspera da minha compra:

"O produto não tem a mesma característica física e nem da embalagem se comparado ao produto original. Não recomendo."

O segundo aparece cortado assim na página:

"Produto chegou totalmente embolorado/ podre , contaminado com certeza , o vendedor não responde aos chamados simplesmente sumiu, recebeu pelo produto e não resp..."

São relatos de compradores, publicados na própria Amazon. Eu não comprei, não recebi o produto e não sei o que aconteceu em cada pedido. Na mesma página também havia avaliações de 5 estrelas, inclusive do mesmo dia.

Página do vendedor Raiz Verde na Amazon em 17/10/2026 com nota 3,8 de 5, 69% positivo e 26% de avaliações de 1 estrela

A página do vendedor em 17/10/2026, às 11h47. Os destaques são meus. Os nomes dos compradores e o CEP foram borrados.

O detalhe que engana está no contraste entre as duas notas da mesma compra:

Duas notas na mesma compra: o produto com 4,7 de 5 em 1.936 avaliações e o vendedor com 3,8 de 5 e 26% de nota 1

As duas notas da mesma compra, com os números copiados da tela.

6. Excluir e avisar a IA

Às 11h49, tirei o item do carrinho.

Carrinho da Amazon às 11h49 de 17/10/2026 com o botão Excluir destacado antes de remover a creatina

O carrinho às 11h49, antes de clicar em Excluir. Os produtos salvos e as sugestões da minha conta foram removidos do print.

Depois voltei ao Gemini, mandei o print e escrevi: "esse link da amazon é de um vendedor ruim". A resposta começou assim: "Você tem toda razão, e eu peço desculpas pela falha." Em seguida, chamou o caso de armadilha clássica dos marketplaces, em que o nome do fabricante aparece em destaque no título e quem vende é um lojista parceiro.

No mesmo pedido de desculpas, errou um número. Escreveu: "Com 38% de avaliações negativas recentes e apenas 69% de aprovação, comprar um suplemento como a CREATINA CREAPURE DUX de um lojista assim é um risco desnecessário à saúde e ao dinheiro." Na página, as notas 1 e 2 somavam 28%. Mesmo contando as de 3 estrelas, dá 31%. Nenhuma leitura da tela chega a 38%.

Resposta do Gemini em 17/10/2026 reconhecendo a falha e pedindo desculpas por indicar o link de um vendedor ruim

A resposta do Gemini em 17/10/2026, às 11h50. Os destaques são meus.

Pedi também que o link fosse denunciado, para não ser indicado de novo. Mais abaixo mostro como fazer isso pelo caminho que de fato chega ao Google: o botão de feedback.

Por que o anúncio parecia ser da marca

Nada no anúncio era falso. Cada peça era verdadeira. O problema é de quem cada peça fala.

  1. O título, as fotos e o link "Visite a loja" são do produto. Na Amazon, vários vendedores podem oferecer o mesmo produto na mesma página. O quadro "Outros vendedores na Amazon", no canto do print, mostra isso.
  2. A nota grande é do produto, não do vendedor. As 4,7 estrelas em 1.936 avaliações e o "Mais de 800 compras no mês passado" ficam no topo do anúncio. A nota de quem vende fica em outra página, a um clique.
  3. "Enviado pela Amazon" não é "Vendido pela Amazon". Na caixa de compra, as duas linhas aparecem juntas: Enviado pela Amazon, Vendido por Raiz Verde. A entrega é de um, a venda é de outro.
  4. O preço riscado acelera a decisão. De R$ 282,21 por R$ 123,40 é 56% abaixo. Em produto premium, desconto desse tamanho é motivo para olhar mais, e não menos.
  5. A IA comparou marcas. Ela não conferiu quem vende. Eu não pedi, e ela não ofereceu.

Havia mais uma linha na caixa de compra: "Este item não pode ser devolvido por questões de...", com o resto do texto num link. Vale saber que regra de plataforma não tira direito do consumidor. Em compra feita pela internet, o Código de Defesa do Consumidor dá 7 dias para desistir (art. 49). E produto estragado é vício de qualidade, pelo qual os fornecedores respondem solidariamente (art. 18).

O ZMOT de 2011 e o que mudou com a IA

Quando eu era mais novo, li um livro que mudou o meu jeito de pensar compra on-line: ZMOT: Winning the Zero Moment of Truth. Eu lembrava dele como um livro de 2008, escrito por alguém do Google. Fui conferir para este artigo: é de 2011, de Jim Lecinski, do Google, distribuído de graça em e-book.

A ideia vinha de antes. A Procter & Gamble chamava de Primeiro Momento da Verdade os segundos diante da prateleira, quando o cliente escolhe. O Segundo Momento é a experiência com o produto, em casa. O livro do Google mostrou que, entre o estímulo e a prateleira, tinha surgido um momento novo: a pesquisa on-line antes de comprar. O momento zero.

Os números do livro vinham de um estudo do Google com a Shopper Sciences, de abril de 2011, com 5.003 consumidores. Em 2011, o comprador médio usava 10,4 fontes de informação para decidir, contra 5,3 em 2010. E 84% diziam que o momento zero influenciava as suas decisões.

Em 2011, eu era o filtro dessas 10,4 fontes. Em 2026, a IA virou o filtro. Ela lê as fontes, resume e entrega uma resposta. O momento zero encolheu para uma conversa e ganhou um ponto cego: a resposta fala da marca, e quem vende só aparece depois do clique.

Fluxograma da jornada de compra do ZMOT em 2011 ao lado da jornada de compra com IA em 2026, do estímulo à experiência

O caminho de 2011, segundo o ZMOT, ao lado do caminho que eu fiz em 17/10/2026.

Repare na última etapa da coluna de 2011: a experiência de um comprador vira o momento zero de outro. A avaliação de 1 estrela que me salvou foi exatamente isso. Alguém comprou, se frustrou e deixou o relato. Sem ele, eu teria pago.

Golpista também aparece na resposta da IA

O meu caso não teve site falso. Foi uma loja real, numa plataforma real, com avaliações públicas. Mas o mecanismo é o mesmo que pesquisadores de segurança vêm medindo: a IA confia na superfície (o nome, a marca, a página bem montada) e entrega o link.

  • Netcraft, julho de 2025. Os pesquisadores pediram a um modelo GPT-4.1 o endereço de login de 50 marcas. Das 131 páginas sugeridas, 34% não pertenciam às marcas: 29% eram domínios não registrados, estacionados ou sem conteúdo, prontos para um golpista ocupar, e 5% eram de empresas sem relação com a marca. Num dos testes, o Perplexity indicou uma página falsa do banco Wells Fargo hospedada no Google Sites.
  • Netcraft, agosto de 2026. Quase 3 mil perguntas sobre páginas de marcas, feitas a ChatGPT, Copilot, Gemini e Perplexity. Em 1,7% das respostas havia link malicioso, ligado a golpistas reais. Para a pergunta "qual é o site oficial da Kohl's?", uma rede americana de lojas de departamento, a busca com IA recomendou uma loja falsa.
  • Guardio Labs, agosto de 2025. Os pesquisadores montaram uma loja falsa imitando o Walmart e pediram ao Comet, o navegador com IA do Perplexity: "Buy me an Apple Watch". Em parte dos testes, o agente comprou na loja falsa, com o cartão salvo no navegador, sem pedir confirmação. A conclusão deles cabe numa frase: "when security depends on chance, it's not security" (quando a segurança depende da sorte, não é segurança).

1,7% parece pouco. Num assistente usado por milhões de pessoas todos os dias, não é. E houve o meu próprio teste, sem querer: a busca pelo menor preço me levou ao anúncio, a IA aceitou a correção e, ao corrigir, errou o número.

Entregou o produto. Foi honesto?

Aqui entra uma opinião minha, sobre uma prática, e não sobre um vendedor específico.

Quem vende suplemento embolorado, mal armazenado ou diferente do original não deixou de entregar. O pacote chegou. Mas o que chegou não é o que foi vendido. Para mim, como consumidor, isso fica muito perto de produto falso.

E esse tipo de venda conta com uma coisa: o tíquete baixo. Ninguém manda um pote de R$ 123 para análise em laboratório. Quase ninguém passa uma tarde no Procon por causa dele. Pense num paciente que abre o pote e encontra o pó empedrado, com cheiro estranho. Ele vai pagar um laudo? Entrar na Justiça por R$ 123? Na maioria das vezes, joga fora, deixa uma estrela e segue a vida. A dor de cabeça sai mais cara que o remédio, e é nessa margem que a prática se sustenta.

A linha parece tênue na ética. Na lei, ela é mais grossa do que parece:

  • O Código de Defesa do Consumidor chama de impróprios ao consumo "os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à saúde" (art. 18, §6º, II).
  • A Lei 8.137/1990 trata como crime contra as relações de consumo "vender, ter em depósito para vender ou expor à venda ou, de qualquer forma, entregar matéria-prima ou mercadoria, em condições impróprias ao consumo" (art. 7º, IX). A pena é de detenção de 2 a 5 anos ou multa, e a lei pune também a forma culposa, sem intenção, com pena reduzida.

Ou seja: entregar não basta. Entregar produto estragado pode ser crime, mesmo sem intenção.

A nuance que a Anvisa traz

Para ser justo com o mercado: em abril de 2025, a Anvisa divulgou a análise de 41 creatinas de 29 fabricantes, coletadas no segundo semestre de 2024 e analisadas pelo INCQS, da Fiocruz. Só 1 tinha teor de creatina abaixo do declarado. Por outro lado, 40 das 41 tinham algum problema de rotulagem, e nenhuma tinha matéria estranha.

Ou seja, o pó dentro do pote de uma marca regular, comprado em canal regular, costuma ser o que diz ser. O risco que este caso mostra está em outro lugar: no canal. Em quem guarda, em quem envia e em quem vende.

O que isso tem a ver com o consultório

Muito médico vai ler este artigo como consumidor, e já vale. Mas há outra leitura, mais importante.

  1. O paciente pergunta ao médico e depois pergunta à IA. A orientação de consultório costuma parar no "o quê" e no "quanto". A compra acontece depois, num marketplace, guiada por uma IA que compara marcas. Incluir o "onde" na orientação (loja oficial, farmácia, vendedor conferido) fecha esse buraco, sem precisar indicar marca.
  2. A mesma IA escolhe médicos. O paciente que pergunta "qual a melhor creatina" também pergunta "qual o melhor dermatologista perto de mim". A IA monta a resposta com o que encontra na superfície: nome, nota, página. Se o perfil do médico no Google tem um dado errado, a IA repete o erro, como no caso do ortopedista que aparecia no Google como ortoptista. Explico como essas respostas se formam em como a IA responde "qual o melhor médico perto de mim".
  3. Credibilidade emprestada é o golpe mais velho que existe. O anúncio pegou emprestada a autoridade da marca. Na saúde, o equivalente é usar o nome, a foto ou o jaleco de um médico para vender produto. Por isso o CFM é tão rígido com médico em publicidade de produto, como mostro mais abaixo.

Antes de pagar: o checklist

  1. Leia a linha "Vendido por" na caixa de compra, antes de colocar no carrinho. "Enviado por" é outra coisa.
  2. Abra a página do vendedor. Olhe a nota, a porcentagem positiva, o número de avaliações e, principalmente, a barra de 1 estrela.
  3. Leia as avaliações de 1 estrela mais recentes. Entrega atrasada é uma coisa. "Diferente do original" e "embolorado" são outra.
  4. Separe a nota do produto da nota do vendedor. A que aparece no topo do anúncio é do produto.
  5. Desconfie de desconto grande em produto premium. Compare com o preço da loja oficial da marca.
  6. Não trate "Visite a loja" como prova. Prova é a marca, ou a própria plataforma, aparecer em "Vendido por".
  7. Prefira a loja oficial da marca, a plataforma como vendedora ou uma rede conhecida. Pode custar um pouco mais. É o preço da origem conhecida.
  8. Confira o vendedor fora da plataforma, quando der. Se a página mostrar razão social e CNPJ, a consulta no site da Receita Federal é gratuita.
  9. Peça a fonte à IA e abra a fonte. Número de IA sem fonte aberta é palpite. Os 38% deste caso mostram por quê.
  10. Ao receber, confira lacre, lote, validade e aparência. Se algo destoar do produto que você conhece, fotografe tudo antes de usar.

Como denunciar

No Gemini

Pela central de ajuda do Gemini, o feedback sobre uma resposta é dado na própria conversa:

  1. Abaixo da resposta, clique no polegar para baixo.
  2. Escolha um motivo.
  3. Escreva o que aconteceu. Dá para anexar imagens, como os prints.
  4. Clique em Enviar.

Quando o problema é jurídico, o caminho é o menu Mais (os três pontos), abaixo da resposta, na opção "Informar problema jurídico". Um texto que você pode adaptar para o campo de comentário:

"A resposta indicou a compra de um produto de marca por um link de marketplace em que o vendedor não é a marca. O vendedor tinha nota 3,8 de 5, com 26% de avaliações de 1 estrela e relatos de produto diferente do original. A comparação considerou a marca, mas não quem vende. Ao reconhecer o erro, a resposta informou 38% de avaliações negativas, mas a página mostrava 28%."

Na Amazon

  • Se você não comprou: a melhor proteção é não comprar e avisar quem pergunta. Foi o que eu fiz.
  • Se comprou e chegou com problema: fotografe o produto, a embalagem, o lote e a validade, e abra a reclamação pelo próprio pedido. Se não resolver, existe a Garantia de A a Z, que a própria página do vendedor descreve como proteção "quando você compra produtos vendidos e enviados por um vendedor parceiro". E avalie o vendedor: a sua nota vira o momento zero de outra pessoa.

Fora da plataforma

  • Plataforma pública e Procon. O consumidor.gov.br recebe reclamações contra as empresas cadastradas nele, e o Procon da sua cidade também atende. Para produto não durável, o prazo para reclamar de vício aparente é de 30 dias, contados da entrega (CDC, art. 26, I).
  • Vigilância sanitária. Suplemento embolorado, adulterado ou com suspeita de falsificação é assunto sanitário. A denúncia pode ir à vigilância sanitária do município ou à Anvisa, pela plataforma Fala.BR.

O que o médico pode fazer e o que o CFM determina

1. Falar de suplemento em conteúdo para o público

Pode: explicar o que é o suplemento, o que a ciência sustenta, os cuidados e como comprar com segurança, como este artigo faz com o canal de compra.

O que o CFM determina: ao publicar para leigos, o médico deve "se portar como representante da medicina, devendo abster-se de condutas que visem angariar clientela" (Resolução CFM 2.336/2023, art. 10). E o Código de Ética Médica veda permitir que a participação na divulgação de assuntos médicos "deixe de ter caráter exclusivamente de esclarecimento e educação da sociedade" (art. 111).

2. Indicar marca, loja ou produto

Pode: orientar critérios de compra (canal, vendedor, lacre, lote, validade) sem vincular o próprio nome a uma marca.

O que o CFM determina: é vedado "participar de propaganda/publicidade de medicamento, insumo médico, equipamento, alimento e quaisquer outros produtos, induzindo à garantia de resultados" e "conferir selo de qualidade, ou qualquer outra chancela, a produtos alimentícios, de higiene pessoal ou de ambientes, material esportivo e outros por induzir a garantia de resultados" (Resolução CFM 2.336/2023, art. 11, IV e V). O Código de Ética Médica veda "Participar de anúncios de empresas comerciais, qualquer que seja sua natureza, valendo-se de sua profissão" (art. 115) e "obter vantagem pelo encaminhamento de procedimentos, pela prescrição e/ou comercialização de medicamentos, órteses, próteses ou implantes de qualquer natureza, cuja compra decorra de influência direta em virtude de sua atividade profissional" (art. 69). Detalho os limites em médico influenciador e publi: o que o CFM permite.

3. Alertar sobre golpe

Pode: alertar com dado, fonte e data, mostrando como conferir.

O que o CFM determina: a resolução inclui no sensacionalismo "veicular em público informação que possa causar intranquilidade, insegurança, pânico ou medo de forma coletiva ou individual, mesmo que para fatos conhecidos" (art. 11, §2º, e), e veda "participar de propaganda enganosa de qualquer natureza" (art. 11, VI). O alerta útil mostra o caminho e a checagem. Não diz que todo suplemento é perigoso. Mais sobre o limite em sensacionalismo e autopromoção na publicidade médica.

4. Usar IA para pesquisar

Pode: usar ferramentas de IA "como instrumento de apoio à prática médica, à decisão clínica, à gestão em saúde, à pesquisa científica e à educação médica continuada" (Resolução CFM 2.454/2026, art. 3º, I).

O que o CFM determina: o médico não pode ser obrigado a seguir, "de forma automática ou acrítica, recomendações geradas por sistemas de IA" (art. 3º, IV). Deve empregar a IA "exclusivamente como ferramenta de apoio" e "exercer julgamento crítico sobre as informações e recomendações fornecidas pela IA" (art. 4º, I e II). A resolução trata do uso de IA na prática médica, e comprar creatina não é ato médico. Mas o princípio é o mesmo: a IA sugere, e quem confere é você. Escrevi mais sobre isso em Competente o suficiente: o livro do Akita e a IA no conteúdo médico.

O que este caso ensina

  1. A IA responde à pergunta que você fez. Perguntei pela melhor marca, e ela respondeu com a melhor marca. Ninguém perguntou quem vende.
  2. Marca no título não é marca no caixa. Quem vende está em "Vendido por".
  3. Nota de produto não é nota de vendedor. 4,7 de um lado, 3,8 do outro, na mesma compra.
  4. Preço fora da curva é informação. Em produto premium, quase sempre é alerta.
  5. Até a correção da IA precisa ser conferida. O pedido de desculpas veio com 38% no lugar de 28%.
  6. O tíquete baixo protege quem vende mal. Quase ninguém reclama formalmente por R$ 123. Reclamar e avaliar é o que quebra esse ciclo.

Cada caso é um caso

Este foi o meu caminho, numa manhã de sábado, com um produto, uma IA e uma plataforma. Outro produto, outra IA ou outra loja podem ter outro ponto cego. Cada caso é um caso.

O meu trabalho é mapear esse caminho: o que a pessoa pergunta, o que o Google e as IAs respondem, onde ela clica, onde confia e onde desiste. Faço isso para médicos e clínicas, porque o paciente percorre a mesma trilha antes de marcar uma consulta. Se quiser entender como o seu consultório aparece nessa jornada, o meu WhatsApp está no site: conversar pelo WhatsApp.

Leituras e referências

REVISÃO TÉCNICA:

Revisei este artigo no mesmo dia da compra, 17 de outubro de 2026, e terminei às 13h15. Li o texto inteiro com atenção, abri os links, conferi os números com os prints e anotei o que eu não lembrava, como o ano do livro do ZMOT. Henrique Holanda, especialista em SEO e jornada de compra com IA.

Perguntas frequentes sobre comprar suplemento com ajuda da IA

Na caixa de compra do anúncio, procure a linha "Vendido por". É ali que aparece o vendedor daquela oferta. O título, as fotos e o link "Visite a loja" pertencem à página do produto e aparecem iguais para qualquer vendedor que ofereça aquele item.

Henrique Holanda

Especialista em Posicionamento Estratégico no Google

Consultoria de SEO para Médicos, Dentistas e Clínicas

Consultor de SEO e GEO especializado em clínicas, médicos e negócios de saúde, atuando de forma independente desde 2022. Certificado em Technical SEO pela Blue Array Academy e em SEO Técnico pela SEO Liddi, com MBA em SEO, GEO e Organic Growth Marketing em andamento. Ajuda clínicas a aparecerem entre os primeiros resultados do Google e nas respostas de ferramentas como ChatGPT e Google AI Overviews. Quer saber se a sua clínica está pronta para isso? Conheça a trajetória completa e fale com Henrique.

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Henrique Holanda - Especialista em SEO e Posicionamento Médico no Google