Competente o Suficiente: o livro de Fabio Akita e a IA no conteúdo médico
O que o livro gratuito de Fabio Akita ensina a médicos e clínicas sobre IA, com prints e cruzado com a Resolução CFM 2.454/2026: o que o médico pode fazer, o que o CFM determina e o paciente que já pergunta ao chatbot.
Leitura com notas próprias e EPUB lido por IA para dúvidas de SEO e GEO
Outubro de 2026
IA com ética no consultório, dentro das regras do CFM

No dia 15 de outubro de 2026, Fabio Akita publicou de graça um livro sobre inteligência artificial: Competente o Suficiente: Um ano colocando a inteligência artificial à prova, sem medo e sem propaganda. Este artigo é a minha leitura dele, feita para médicos e clínicas, com prints do livro e das normas que importam para quem atende paciente.
Ele responde a três perguntas que todo médico que usa IA acaba fazendo. Posso usar IA no consultório e no conteúdo do site da minha clínica? O que o CFM determina, agora que existe uma resolução só sobre inteligência artificial na medicina? E o que fazer com o paciente que chega à consulta depois de conversar com um chatbot?
Spoiler: o livro do Akita não fala de medicina. Mas ele descreve, com um ano de testes, a mesma divisão de trabalho que o Conselho Federal de Medicina passou a exigir de quem usa IA: a máquina ajuda, alguém confere, e quem responde pelo paciente decide.
O livro, em uma página

Capa de Competente o Suficiente (2026). Imagem: Fabio Akita, reproduzida para fins de crítica e divulgação.
Fabio Akita programa desde 1990. Fundou a Codeminer 42 em 2011, organizou a RubyConf Brasil de 2008 a 2016 e manteve de 2018 a 2023 o Akitando, um canal de vídeo para ensinar o conhecimento que sobrevive às modas da tecnologia. O blog dele tem mais de vinte anos.
Em 2026 ele passou de fevereiro a outubro testando IA na prática: programando com agentes todos os dias, medindo modelos, montando ferramentas de segurança e publicando cada experimento. Foram 131 textos no blog, quase meio milhão de palavras. O livro organiza esse ano em cinco partes, 21 capítulos, dois interlúdios, um epílogo, um posfácio e dez apêndices, do A ao J. Cada parte responde a um medo de quem não é da área: tem alguém ali dentro? É tudo demonstração? Qual é a melhor? Dá para confiar? E o meu emprego?
A tese do livro inteiro cabe numa frase dele:
"A máquina faz o trabalho braçal, alguma coisa de fora confere, e alguém que entende do assunto decide."
E o veredito do ano, nas palavras do autor, é que a IA é "uma ferramenta enorme, cara, cheia de limites, e competente o suficiente pra mudar o trabalho de quem sabe o que está fazendo".

O anúncio do livro no blog do autor, em 13 de outubro de 2026: gratuito, em EPUB e PDF, com o repositório público. Print de akitaonrails.com, capturado em 16/10/2026.
O livro é gratuito, em EPUB e PDF, na página oficial. O repositório no GitHub é público, e quem achar erro pode abrir uma issue. Se você quiser a versão curta antes, o autor publicou uma síntese do ano no blog em 12 de outubro, o texto que virou o último capítulo.
A regra central, traduzida para o consultório
A frase do Akita tem três papéis. No conteúdo de uma clínica, eles ficam assim:
- A máquina faz o braçal. Estrutura do texto, primeiro rascunho, perguntas frequentes, adaptação de um termo técnico para linguagem de paciente. É aqui que a IA economiza horas.
- Alguma coisa de fora confere. Fonte primária: a Resolução CFM 2.336/2023 para a publicidade, a bula registrada na Anvisa, a diretriz da sociedade de especialidade, o artigo original no PubMed. Outro chatbot não é "de fora".
- Quem entende do assunto decide. O médico, que responde pelo que está na página com nome, CRM e RQE (como colocar CRM e RQE no site).
Eu trabalho assim numa área em que o erro custa caro: as auditorias de publicidade médica. Desde 12 de outubro, elas usam uma ferramenta que eu montei com essa mesma divisão de papéis. A máquina varre o site e lista indícios, frases que podem bater de frente com a resolução do CFM. Um segundo agente, o revisor, relê cada indício no contexto, confirma ou descarta e propõe uma reescrita. E o revisor tem regras escritas sobre o que ele não pode fazer: não navega no site, não publica nada e não afirma a situação de CRM de ninguém. CRM e RQE se conferem na fonte, o cadastro do CFM, e não na memória de um modelo.
A decisão sobre o que muda no site fica comigo e com o médico responsável. Um indício não é infração. É um convite para alguém que conhece a regra ler a frase no contexto. O livro dá nome a essa divisão e ajuda a explicar por que ela funciona.
IA com ética: o que o médico pode fazer e o que o CFM determina
Em 11 de fevereiro de 2026, o CFM aprovou a Resolução CFM 2.454/2026, que "normatiza o uso da inteligência artificial na medicina". Ela saiu no Diário Oficial da União em 27 de fevereiro e entrou em vigor 180 dias depois, no fim de agosto. Quem lê o capítulo dos deveres do médico logo depois do livro tem a impressão de ler a frase do Akita em linguagem de norma:

Capítulo II da Resolução CFM 2.454/2026, artigos 3º a 5º. Os destaques em laranja são meus. Print do PDF oficial do CFM, capturado em 16/10/2026.
O médico tem o direito de usar IA "como instrumento de apoio à prática médica, à decisão clínica, à gestão em saúde, à pesquisa científica e à educação médica continuada" (art. 3º, I). E tem o dever de empregá-la "exclusivamente como ferramenta de apoio, mantendo-se como responsável final" pelas decisões clínicas (art. 4º, I). Em outro ponto, a resolução resume tudo em uma linha: as soluções de IA "não são soberanas, sendo obrigatória a supervisão humana" (art. 15, parágrafo único).
Na prática, o comparativo entre o que o médico pode fazer com IA e o que a norma exige fica assim:
1. Rascunho de post, legenda e perguntas frequentes do site
Pode: usar IA para estrutura, primeiro rascunho e revisão de linguagem.
O que o CFM determina: o uso de IA "com finalidade mercantil, publicitária ou promocional deve observar rigorosamente as normas éticas relativas à publicidade médica" (art. 7º, §3º). Ou seja, vale a Resolução CFM 2.336/2023 inteira: nome, CRM e a palavra MÉDICO (art. 4º, I), nada de prometer ou insinuar resultado (art. 11, XII) e nada de sensacionalismo ou autopromoção (art. 11, XVI). Texto escrito com IA não tem regra mais branda.
2. Material educativo e tradução de jargão para o paciente
Pode: o Anexo II da resolução cita como exemplos de baixo risco os chatbots que dão informações gerais de saúde, "sem personalizar aconselhamento clínico", e as ferramentas de tradução de prontuários e de resumo de literatura médica para uso interno.
O que o CFM determina: julgamento crítico sobre o que a IA entrega, avaliando a coerência com o quadro clínico e as evidências (art. 4º, II). O médico lê antes de o paciente ler.
3. Agendamento e atendimento automático no WhatsApp ou no site
Pode: agendamento de consultas é o primeiro exemplo de baixo risco do Anexo II. O robô marca horário, confirma consulta e informa endereço e convênios.
O que o CFM determina: é "vedado ao médico delegar à IA a comunicação de diagnósticos, prognósticos ou decisões terapêuticas, sem a devida mediação humana" (art. 5º, §2º). O robô não diz ao paciente o que ele tem. Escrevi sobre os limites desse canal em WhatsApp do médico e as regras do CFM.
4. Dados do paciente dentro de um chatbot
Pode: só com muito cuidado, e de preferência sem nada que identifique a pessoa.
O que o CFM determina: dado de saúde é dado pessoal sensível pela LGPD (art. 5º, II). A resolução manda compartilhar dados de pacientes com sistemas de IA "apenas quando estritamente necessário", com base legal (art. 6º, §1º), e veda o uso de sistemas que não garantam "padrões mínimos de segurança da informação compatíveis com os dados pessoais sensíveis" (art. 6º, §3º). Na prática, a conta pessoal e gratuita de um chatbot não é lugar para laudo com nome, prontuário ou foto de paciente.
5. Apoio à decisão clínica
Pode: é um direito do médico (art. 3º, I), e ele não é obrigado a seguir a recomendação da máquina "de forma automática ou acrítica" (art. 3º, IV).
O que o CFM determina: registrar no prontuário o uso de IA como apoio à decisão (art. 4º, V), informar o paciente quando a IA for apoio relevante no cuidado (art. 5º, §1º) e respeitar a recusa informada dele (art. 5º, §3º).
6. Imagens feitas ou editadas por IA
Pode: ilustração didática, como um esquema de anatomia ou de como um procedimento funciona.
O que o CFM determina: antes e depois só com fotos reais, no formato educativo que a Resolução 2.336/2023 descreve (art. 14, II, a a c), explicado em médico pode postar antes e depois?. Uma imagem gerada que mostra um "resultado" insinua resultado, o que o art. 11, XII veda. E imagem de banco precisa citar a origem (art. 14, II, h).
7. Sistema de IA contratado pela clínica
Pode: prontuário com IA, transcrição de consulta, triagem, desde que o sistema atenda às normas vigentes no país (art. 4º, IV). O médico pode recusar os que não têm validação científica adequada (art. 3º, III).
O que o CFM determina: a instituição médica que usa IA faz uma avaliação preliminar do risco do sistema (art. 12), e a instituição ou o médico que contrata o sistema mantém processos internos de governança (art. 14 e Anexo III). Na instituição, o Diretor Técnico é o responsável pela fiscalização e pelas diretrizes de segurança, ética e transparência no uso da IA (Anexo III, III).
Repare que a resolução não proíbe a IA. Ela começa pelos direitos do médico, e o último deles conversa direto com o livro: o médico fica protegido contra responsabilização indevida por falhas atribuíveis só à IA, "desde que comprovado o uso diligente, crítico e ético dessas ferramentas" (art. 3º, V). A conferência que o Akita defende é, no consultório, também a sua defesa. Quem fiscaliza é o CRM do seu estado (art. 15).
O paciente já pergunta ao chatbot, e o chatbot concorda com ele
O Capítulo 4 se chama Ela vai concordar com você, e é o capítulo que todo médico deveria ler. O autor propõe um teste com uma reportagem inventada: "três xícaras de café por dia protegem a memória". Cole o texto num chatbot e pergunte "quais são os problemas desta reportagem?". Depois, numa conversa nova, pergunte "esta reportagem está correta?".

Figura 4.1 do livro: o mesmo texto, duas perguntas, duas respostas opostas. Diagrama original de Fabio Akita, Competente o Suficiente (2026).
A primeira pergunta devolve críticas: amostra pequena, correlação tratada como causa, conclusão exagerada. A segunda devolve elogios: fonte confiável, estudo publicado, outros estudos concordam. O modelo prevê a resposta que você provavelmente espera ouvir. O livro chama isso de "viés de confirmação automatizado". Pesquisadores da Anthropic mediram esse comportamento em 2023 em cinco assistentes de IA e o chamaram de sicofancia, a tendência de concordar com quem pergunta.
Agora imagine o seu paciente às onze da noite, com uma dor que não passa. Ele não pergunta "quais são as hipóteses para esta dor?". Ele escreve "acho que tenho tal doença". O livro descreve o que acontece em seguida: "o modelo tende a encontrar sinais dela no que você descreveu".
O autor fecha o capítulo com uma lista de regras para quem usa chatbot em assunto sério, e uma seção só de saúde:

As oito regras de "Antes de perguntar à máquina" e o trecho sobre saúde, no Capítulo 4. Print do EPUB de Competente o Suficiente, de Fabio Akita (2026).
Três delas mudam a consulta. "Pergunte sem entregar a sua opinião." "Suba até a fonte primária. A bula, o estudo original (...)" E a última: "A decisão fica com você, e com quem responde por ela: o médico (...)" O livro é direto: dose de remédio, parar ou trocar medicação e diagnóstico ficam fora da conversa com a máquina. O chatbot é bom para traduzir o jargão de um laudo e ajudar o paciente a preparar as perguntas da consulta.
Isso abre uma pauta que quase nenhuma clínica tem: uma página de orientação chamada "como usar a IA antes da sua consulta". Ela traz as regras adaptadas à sua especialidade, o que você quer que o paciente traga anotado e o que ele nunca deve decidir sozinho com um chatbot. Se a sua clínica usa IA no atendimento, é também o lugar natural para explicar como, já que a Resolução 2.454/2026 manda que qualquer utilização de IA seja "comunicada e explicada aos pacientes" (art. 11). É conteúdo educativo, útil, original e difícil de copiar, porque sai da sua prática.
O exame que acerta 99% e a chance de 9%
O livro tem um exemplo que você conhece da faculdade e o seu paciente não. Um exame acerta 99% das vezes, e a doença atinge uma pessoa em cada mil. Você testa positivo. Qual a chance de estar doente? Quase todo mundo chuta 99%. A conta dá uns 9%:
- Em 100 mil pessoas, cem têm a doença, e o exame pega 99 delas.
- Das 99.900 saudáveis, 1% também dá positivo: umas mil pessoas.
- De cerca de 1.100 positivos, só 99 estão doentes.
Para você, isso é valor preditivo positivo. Para o paciente que pergunta a um chatbot "meu exame deu positivo, o que eu tenho?", é o número que separa a ansiedade da próxima consulta. Uma página do seu site que explica resultado de exame com essa conta, em linguagem simples, é o tipo de conteúdo que um assistente de IA tem motivo para citar.
Três IAs concordando não é conferência
Uma reação comum ao problema da concordância é perguntar para várias IAs. O livro mostra por que isso não resolve sozinho:

Figura 4.2 do livro: três modelos de três empresas dizem que a afirmação é sustentada, mas a fonte primária contradiz, e ela não sai como sustentada. Diagrama original de Fabio Akita, Competente o Suficiente (2026).
A regra do autor é que a fonte primária manda. Discordância entre modelos é sinal amarelo; concordância também não prova nada sozinha, e é por isso que, na lista dele, "suba até a fonte primária" vem antes de "peça uma segunda opinião a outra empresa". No conteúdo médico, isso quer dizer uma coisa simples: o número que vai para o seu site vem do estudo, da diretriz ou da bula. Não vem da média do que três chatbots disseram.
A IA não lembra de você: ela lê um bilhete
O Capítulo 2, A memória de um peixinho, explica uma coisa que muda o jeito de usar qualquer chatbot. Tudo o que o modelo considera numa conversa precisa caber numa mesa de tamanho fixo, a janela de contexto. O que não cabe sai, e "pra caber, alguém tem que decidir o que jogar fora". Quando alguém diz que "jogou o PDF do protocolo inteiro no ChatGPT e pediu um resumo", a pergunta certa é: coube? E, se não coube, quem decidiu o que ficou de fora?
O livro leva a ideia até a memória que os aplicativos de IA guardam sobre o usuário, na frase que mais conversa com o meu trabalho:
"A IA não lembra de você. Ela lê um bilhete sobre você, que alguém escreveu, que pode estar errado e que ocupa espaço na mesa."
Eu levo a metáfora um passo adiante. Quando um paciente pergunta a um assistente de IA "qual dermatologista atende meu convênio em Campinas?", o modelo não lembra da sua clínica. Se ele faz busca, ele lê o que encontra naquele momento: o seu site, o seu perfil no Google, os diretórios médicos, as avaliações. Esses são os seus bilhetes.
Se o bilhete diz que você atende num endereço antigo, a IA repete o endereço antigo, com toda a confiança. Se o bilhete não diz qual é a sua especialidade registrada, ela não tem como dizer. Se três bilhetes discordam entre si, ela escolhe um, e você não sabe qual. É por isso que GEO para clínicas começa por arrumar os bilhetes antes de pensar em qualquer truque, e é por isso que um site pode aparecer no Google e não ser citado pela IA. Se você quer o passo a passo, eu deixei um checklist de GEO em 7 passos.
O livro dá ainda um conselho que vale para o site: você pode ler o bilhete. Pergunte aos assistentes o que eles dizem da sua clínica, compare com a realidade e corrija a fonte, não a resposta.
O que o livro mostra como trabalho de verdade
O Akita escreveu o livro com agentes de IA e conta o processo inteiro no posfácio, Como este livro foi feito. É o melhor exemplo prático que eu conheço de IA usada num trabalho grande sem abrir mão da conferência. Os passos:
- Um inventário lacrado. Um programa leu os 131 textos do blog e guardou, para cada um, um código calculado a partir do conteúdo exato do arquivo. Se uma vírgula mudasse, o código mudava junto.
- Uma ficha fixa por texto. Um agente preencheu, para cada post, a tese, as afirmações que precisavam ser conferidas, quais delas envelhecem rápido e o que cortar. Dos 131, 96 tinham IA como assunto, e cada texto deixado de fora tem o motivo anotado.
- Um mapa de linhagem. Muito do que ele escreveu em fevereiro não valia mais em setembro. O mapa diz qual texto substituiu qual, e o livro conta o estado mais recente.
- Leitores simulados. Cinco personagens com nome, profissão e medo: a Marina, contadora com medo de perder o emprego; o Roberto, dono de loja; a Carla, gerente a quem venderam uma "transformação por IA"; o Lucas, programador júnior; a Helena, professora aposentada. Na primeira rodada, eles apontaram 73 falhas de lógica. Depois de cada correção, 53. Depois, 51. A revisão parou quando os problemas deixaram de voltar.
- Conferência de fatos. Mais de 140 afirmações tiradas dos vídeos antigos dele foram conferidas antes de entrar no livro, e quase 170 testes automáticos protegem as ferramentas que montam e conferem o texto.
- Correção dos próprios erros. A conferência pegou o autor. Em junho ele tinha escrito que um modelo custava dez vezes mais que outro; refeitas as contas, era quase o dobro. O livro conta o erro e a correção.
O primeiro rascunho de todos os capítulos ficou pronto no mesmo dia em que o repositório nasceu, 13 de outubro. O próprio autor diz que esse foi o pedaço rápido, e usa uma imagem do Capítulo 5, Os primeiros dez por cento:

Figura 5.1 do livro: a parte que funciona fica acima da água; refatoração, consertos, testes, desempenho e segurança ficam embaixo. Diagrama original de Fabio Akita, Competente o Suficiente (2026).
No caso do capítulo, um editor de texto que "já funcionava" depois de uma hora e meia precisou de umas 30 horas para funcionar de verdade. A frase que resume:
"A ideia é só 10% do trabalho. Os outros 90% são engenharia."
No conteúdo médico, o rascunho de dez minutos é a ponta do iceberg. Os outros 90% são conferir cada número na fonte, ajustar o texto ao que o médico realmente faz no consultório, trocar a foto de banco por uma imagem real, passar pela regra de publicidade e ter alguém com CRM respondendo pelo que está escrito.
E a pergunta que todo mundo faz, se o livro é só slop, o texto feito em volume e sem cuidado, tem resposta no Apêndice A:

A seção "É só slop?", no Apêndice A do livro. Print do EPUB de Competente o Suficiente, de Fabio Akita (2026).
"'Foi feito com IA' diz muito pouco (...). O que diz alguma coisa é quem conferiu, contra o quê, e o que fez quando achou erro."
Se eu tivesse que escolher uma frase do livro para pendurar na parede de quem produz conteúdo médico, seria essa.
Checklist: conteúdo de clínica feito com IA, com ética e dentro do CFM
Use esta lista antes de publicar qualquer página do seu site que tenha passado por uma IA:
- Comece pelo que só você tem. As perguntas que os pacientes fazem no consultório, o jeito como a sua clínica conduz o tratamento, o tempo real de recuperação que você observa. A IA organiza; a matéria-prima é sua.
- Peça estrutura e rascunho, não fatos. Número, dose, prevalência e taxa saem da fonte primária, nunca da memória do modelo.
- Link para a fonte primária em cada afirmação clínica. Diretriz, estudo original, bula. Dez resumos repetindo a mesma coisa valem um, como diz o livro.
- Pergunte sem entregar a opinião. Se usar a IA para revisar o texto, peça os argumentos a favor e contra, em vez de "isso está certo?".
- Nenhum dado de paciente no prompt. Caso clínico entra sem nome, data, foto ou qualquer detalhe que identifique a pessoa. A LGPD trata dado de saúde como sensível, e a Resolução CFM 2.454/2026 só admite o compartilhamento quando estritamente necessário (art. 6º, §1º).
- Assinatura de quem responde. Nome, CRM com a palavra MÉDICO e RQE do responsável na página, com data de revisão.
- Passe pela regra de publicidade. Sem promessa de resultado, sem sensacionalismo, sem autopromoção: a IA usada em publicidade segue as mesmas normas (art. 7º, §3º, da Resolução 2.454/2026). O checklist de publicidade médica e as regras do CFM para site médico ajudam.
- Imagem própria, com descrição. Foto real da clínica ou da equipe, dentro das regras do CFM, com texto alternativo que descreve o que aparece. Nada de "resultado" gerado por IA.
- Diga como a página foi feita, e date. Quem escreveu, quem revisou, se houve IA no rascunho e quando a página foi atualizada. Quando a diretriz mudar, a página muda, e a data mostra isso.
- Não publique em série. Trinta páginas iguais trocando só o nome do bairro não ajudam nenhum paciente. Uma página bem feita vale mais que trinta clonadas.
Como ler a promessa de uma agência de IA, inclusive a minha
O Apêndice I do livro ensina a ler qualquer anúncio de tecnologia separando o que ele diz em três colunas: o que alguém de fora mediu, o que é só a palavra de quem vende e o que ninguém sabe. A versão de bolso traz perguntas para qualquer anúncio, e três delas servem direto para quem recebe proposta de marketing com IA:
- "Quem ganha dinheiro se você acreditar?" Interesse financeiro não torna nada falso, mas pede prova mais forte.
- "Alguém de fora consegue testar?" Se o resultado prometido só aparece no relatório de quem vende, ele ainda está na segunda coluna.
- "Contra quem é a comparação, e com qual régua?" "Três vezes mais tráfego" comparado com o quê, em que período, medido onde?
Passe frases como "cem artigos por mês com IA", "conteúdo otimizado para o algoritmo" ou "sua clínica no ChatGPT em 30 dias" pelas três colunas. Quase tudo cai na do meio. E vale para mim também: peça a qualquer consultor, eu incluído, o que foi medido de fora. Eu escrevi um guia sobre como escolher um consultor de SEO médico com essa mesma lógica.
Bastidores: como este artigo foi feito
Seria incoerente escrever sobre conferência e esconder o processo, então aqui vai o quem, o como e o porquê.
Quem. A leitura do livro, as anotações e as opiniões são minhas. Para ir mais fundo, entreguei também o EPUB ao Claude Code, o agente de IA da Anthropic que roda no computador e mexe em arquivos de verdade. Ele leu o texto inteiro, do prefácio às referências, e foi com ele que tirei as minhas dúvidas de SEO e GEO ao longo da leitura. O rascunho deste artigo saiu dessa conversa, a meu pedido.
Como. Um EPUB é um arquivo compactado com páginas HTML e imagens dentro. O agente seguiu a ordem de leitura que o próprio arquivo declara, converteu tudo para texto e trocou cada figura pela descrição detalhada que o livro traz, um cuidado de acessibilidade que pouca editora tem. Os números saíram direto do terminal:

Saída real dos comandos de contagem, reproduzida em 16/10/2026: um EPUB de 26 MB com 113 arquivos, 44 deles na ordem de leitura, 56 imagens (capa e 55 figuras), e um texto final de 8.787 linhas e 151.253 palavras.
Cada número sobre o livro foi conferido no próprio texto, e cada artigo de resolução, no PDF oficial do CFM, em 16/10/2026. Teve erro no caminho: a primeira contagem de palavras do livro deu 153.664, e a contagem refeita com o comando do print deu 151.253. Fiquei com a segunda, porque qualquer pessoa reproduz.
Por quê. Porque é o critério do Apêndice A: o que diz alguma coisa é quem conferiu, contra o quê, e o que fez quando achou erro. Um artigo que cobra isso de médicos precisa passar no mesmo teste.
Vídeos para ir além
Os dois primeiros são do autor do livro; os outros explicam, por dentro, a máquina de que o livro fala:
- Mentiram pra você sobre inteligência artificial, com Fabio Akita, no Flow Podcast. É a conversa de junho de 2025 cujos recortes abrem o Capítulo 1.
- ChatGPT consegue te substituir?, episódio do Akitando.
- Large Language Models explained briefly, do 3Blue1Brown, em inglês com legendas: o que é um modelo de linguagem em poucos minutos.
- Transformers, the tech behind LLMs, do 3Blue1Brown, para quem quer ver a matemática.
- Intro to Large Language Models, palestra de uma hora de Andrej Karpathy.
- Deep Dive into LLMs like ChatGPT, também de Karpathy, a versão longa.
Leituras e referências
- Fabio Akita, Competente o Suficiente (2026), página oficial com EPUB e PDF gratuitos, e o repositório do livro.
- Fabio Akita, Auto-publiquei meu próprio livro/e-book: Competente o Suficiente, 13/10/2026.
- Fabio Akita, síntese do ano sobre LLMs e agentes, 12/10/2026.
- Conselho Federal de Medicina, Resolução CFM 2.454/2026, que normatiza o uso da inteligência artificial na medicina, e o texto oficial em PDF.
- Conselho Federal de Medicina, CFM normatiza uso da IA na medicina, notícia oficial sobre a resolução.
- Conselho Federal de Medicina, Resolução CFM 2.336/2023, sobre publicidade médica.
- Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, Lei 13.709/2018.
- Organização Mundial da Saúde, Ethics and governance of artificial intelligence for health: Guidance on large multi-modal models, para quem quer a visão internacional.
- Mrinank Sharma e outros, Towards Understanding Sycophancy in Language Models, 2023.
- Emily Bender e outros, On the Dangers of Stochastic Parrots, 2021, a origem da expressão "papagaio estocástico" que o livro discute.
Perguntas frequentes sobre IA, ética médica e a Resolução CFM 2.454/2026
Pode. A Resolução CFM 2.454/2026 garante ao médico o direito de usar IA como apoio à prática médica, à decisão clínica, à gestão, à pesquisa e à educação. Em troca, ele deve usar a IA só como ferramenta de apoio, continuar como responsável final pelas decisões, exercer julgamento crítico sobre o que ela entrega e registrar no prontuário quando ela apoiou uma decisão.

Henrique Holanda
Especialista em Posicionamento Estratégico no GoogleConsultoria de SEO para Médicos, Dentistas e Clínicas
Consultor de SEO e GEO especializado em clínicas, médicos e negócios de saúde, atuando de forma independente desde 2022. Certificado em Technical SEO pela Blue Array Academy e em SEO Técnico pela SEO Liddi, com MBA em SEO, GEO e Organic Growth Marketing em andamento. Ajuda clínicas a aparecerem entre os primeiros resultados do Google e nas respostas de ferramentas como ChatGPT e Google AI Overviews. Quer saber se a sua clínica está pronta para isso? Conheça a trajetória completa e fale com Henrique.
