Médico pode postar antes e depois? O formato de 4 etapas que o CFM permite
A Resolução 2.336 liberou o antes e depois, mas só no formato educativo: quatro etapas, ao menos quatro pacientes, anonimato e nada de edição. Veja como montar sem errar.
Pode, mas não do jeito que a maioria imagina. Desde março de 2024, a Resolução CFM 2.336/2023 permite mostrar resultados de tratamentos com finalidade educativa (art. 14). O Manual da Codame explica que isso exige um conjunto de quatro etapas, com pelo menos quatro pacientes diferentes, e diz com todas as letras que postagens isoladas de resultados no Facebook, no Instagram e em redes similares não podem ser usadas.
Ou seja: aquela foto lado a lado no feed, com a legenda "olha que transformação", continua fora da regra. O que mudou é que agora existe um caminho permitido. Este texto mostra qual é. Para o contexto geral das regras, veja o guia de marketing e publicidade médica dentro das normas do CFM.
O que mudou em relação à regra antiga
Na Resolução 1.974/2011, expor a figura do paciente para divulgar técnica ou resultado era vedado, "ainda que com autorização expressa". Em 2015, a Resolução 2.126 reforçou: era proibido publicar imagens do antes e depois de procedimentos. A 2.336 abriu a porta, com uma condição que o Manual repete várias vezes: a imagem precisa ensinar, e não vender. Se não seguir as quatro etapas, o Manual diz que será tratada como sensacionalismo e autopromoção.
As quatro etapas, uma por uma
O Manual descreve a sequência obrigatória:
- Quando procurar o médico. Apresentação da doença ou da queixa estética, dos sinais e sintomas que indicam avaliação médica e das condutas possíveis. Pode ser texto, vídeo ou imagem de banco.
- Antes. Fotos ou vídeos de pacientes antes do tratamento, de pelo menos quatro pacientes diferentes.
- Depois. Fotos ou vídeos dos pacientes após a intervenção, também de pelo menos quatro pacientes, mostrando, quando possível, diferentes biotipos e faixas etárias.
- Resultados insatisfatórios e complicações. Descrição do que pode dar errado, em texto, ilustração ou fotografia.
As etapas 2 e 3 são fotos reais. As etapas 1 e 4 podem usar ilustrações, imagens de terceiros ou da literatura médica, respeitando direitos autorais e a LGPD. O Manual compara esse formato a um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para a sociedade: em vez de prometer resultado, mostra o que a medicina pode oferecer como atividade-meio.
Além disso, o art. 14, II, a, pede que toda imagem venha acompanhada de texto educativo com as indicações terapêuticas, os fatores que influenciam o resultado e as complicações descritas na literatura. E o Manual acrescenta: o material deve estar relacionado à especialidade registrada do médico.
Onde publicar: vídeo ou página do site
O Manual permite reunir o conjunto em um vídeo ou em uma página do site, para onde as redes sociais podem direcionar. No vídeo, cada imagem precisa ficar o mesmo tempo na tela, com no mínimo 2 segundos por quadro.
Na prática, o formato que funciona melhor para a maioria das clínicas é uma página educativa no site, por exemplo "Tratamento de cicatriz de acne: indicações, resultados e complicações". O post do Instagram fala do tema e manda para a página. Você ganha duas coisas: cumpre o formato e cria um conteúdo que pode ranquear no Google. O post sobre site médico e as regras do CFM mostra como estruturar.
O que segue proibido, mesmo com autorização do paciente
- Identificar o paciente. Anonimato significa não mostrar nome, telefone, endereço físico ou eletrônico e perfis nas redes sociais, mesmo que a pessoa seja conhecida (art. 14, II, e e i, 3). Nada de marcar o @ da paciente no post.
- Editar o resultado. É vedada qualquer edição, manipulação ou melhoramento (art. 14, II, f). O Manual permite recortar, ajustar luz e nitidez e colocar tarjas para proteger a identidade, desde que o resultado não seja distorcido.
- Mamas, região glútea e região íntima em rede aberta. O Manual veda essas imagens em redes sociais e em qualquer meio de livre acesso. Só em página com aviso de acesso exclusivo a maiores de 18 anos.
- Filmar procedimento em andamento. Equipe externa de filmagem só em parto (art. 14, II, d). O Manual proíbe interromper ou prolongar uma cirurgia para captar imagens.
- Transmitir ao vivo. Consultas e procedimentos em tempo real seguem vedados para o público, mesmo com autorização (art. 11, VIII).
- Pagar pela imagem. O médico não pode oferecer vantagem, em dinheiro ou desconto, para o paciente ceder a imagem. E a autorização pode ser revogada a qualquer momento.
Uma curiosidade que tira dúvidas na recepção: o Manual diz que não existe vedação ao uso de imagens com tatuagens, piercings ou sinais de nascença. O cuidado é o de sempre: o conjunto não pode permitir reconhecer o paciente.
Um caso do dia a dia
A Dra. Helena (personagem fictícia), dermatologista com RQE, quer mostrar resultados de tratamento de melasma. A agência sugeriu um carrossel com a melhor foto do mês. Pela regra, isso é postagem isolada de resultado.
O caminho conforme: uma página no site com o que é melasma e quando procurar o dermatologista (etapa 1), fotos de antes de quatro pacientes de idades e tons de pele diferentes (etapa 2), as fotos de depois desses mesmos casos (etapa 3) e um bloco honesto sobre recidiva, manchas residuais e irritação (etapa 4). No Instagram, um vídeo curto explica o melasma e chama para a página. Todas as pacientes assinaram a autorização, nenhuma foi identificada e nenhuma foto passou por filtro.
E o paciente que posta o próprio resultado?
O que o paciente publica no perfil dele não é seu. Mas se você repostar, vira publicação sua (art. 8º, §3º). E se os elogios a técnica e resultado aparecerem de modo reiterado ou sistemático, a Codame investiga, mesmo sem repost (art. 8º, §4º). O post sobre depoimento de paciente explica o limite.
Onde isso entra no checklist de 7 portões
O antes e depois é o portão 6 (imagens, antes e depois e depoimentos) do checklist de publicidade médica. Ele costuma reprovar junto com o portão 4, porque a foto isolada de resultado quase sempre insinua garantia.
Se você quer transformar a galeria de resultados em páginas educativas que respeitam a norma e ainda trazem pacientes pelo Google, conheça a consultoria de marketing médico.
Perguntas frequentes sobre antes e depois
Não como foto isolada. O Manual da Codame diz que postagens isoladas de resultados no Facebook, no Instagram e em redes similares não atendem ao formato. O caminho é um vídeo com as quatro etapas ou uma página do site com o conjunto, para onde o post direciona.

Henrique Holanda
Especialista em Posicionamento Estratégico no GoogleConsultoria de SEO para Médicos, Dentistas e Clínicas
Consultor de SEO e GEO especializado em clínicas, médicos e negócios de saúde, atuando de forma independente desde 2022. Certificado em Technical SEO pela Blue Array Academy e em SEO Técnico pela SEO Liddi, com MBA em SEO, GEO e Organic Growth Marketing em andamento. Ajuda clínicas a aparecerem entre os primeiros resultados do Google e nas respostas de ferramentas como ChatGPT e Google AI Overviews. Quer saber se a sua clínica está pronta para isso? Conheça a trajetória completa e fale com Henrique.
